O que a experiência clínica mostra?
Desde 2020 o atendimento online deixou de ser exceção e virou parte da rotina de consultório no Brasil inteiro. Maria Socorro de Menezes, psicóloga há 25 anos, atende nos dois formatos, e a diferença que aparece na prática é menos de eficácia e mais de adaptação inicial.
As primeiras uma ou duas sessões online costumam ser estranhas para quem nunca fez. Depois disso, a estranheza cede e o trabalho segue.
O que se perde no online?
Perde-se o corpo inteiro no campo de visão, o deslocamento até o consultório — que para muita gente já é parte do processo — e o controle do ambiente. Ganha-se acesso, continuidade em períodos de doença ou de viagem, e a possibilidade de escolher a profissional sem depender da geografia.
Honestidade aqui vale mais que argumento de venda: para algumas pessoas o presencial é melhor, e isso é dito na primeira conversa e não escondido.
Em que situações o presencial é indicado?
Quando há risco à vida ou quadro que exija acompanhamento presencial. Quando a pessoa não tem, em lugar nenhum, um espaço com privacidade para falar. E quando a própria pessoa percebe que no online ela não consegue se implicar.
Nenhuma dessas situações é rara, e nenhuma é motivo de constrangimento.
É regulamentado?
É, pela Resolução CFP nº 9/2024, que substituiu as normas anteriores sobre o tema e encerrou o cadastro e-Psi. Site de psicólogo que ainda exibe selo e-Psi está desatualizado.
Atendimento psicológico não é serviço de emergência. Em situação de risco à vida, ligue para o CVV no 188, para o SAMU no 192 ou procure o CAPS ou a UPA mais próxima.
Revisado por Maria Socorro de Menezes, psicóloga. Ver formação e atuação.